É realmente impressionante, já desde o ano passado, em pleno 2008, (e olha que nem sequer, ainda não havia terminado as eliminatórias), e o povo brasileiro, empolgado, já pensava e sonhava com a copa do mundo de 2010, em junho, na África do Sul, em torcer doentiamente e com bravura, e fazer da seleção brasileira a número ‘1’ do futebol mundial. “Que maravilha!!!”
A cada quatro anos, o povo vive um intenso clima de euforia e fervor futebolístico “cívico”, com a doce perspectiva de levantar mais um título, ou melhor, mais um caneco, no linguajar popular. Que emocionante!!!. Como se a seleção fosse tudo na vida, pagasse as contas, enchesse barriga, trouxesse educação, saúde, segurança e emprego a todos.
De um lado, o futebol, a face milionária e vitoriosa de um Brasil sofrido, assaltado e infeliz, de outro, a política suja, individualista, perversa e irresponsável que em nada tem contribuído para eliminar ou até mesmo reduzir os altíssimos e vergonhosos indicadores de país subdesenvolvido.
O futebol é a grande paixão do nosso povo, razão de auto-afirmação, glória e orgulho. Que romântico!!!. Muito, muito e muito mais do que no futebol, na educação, sim, é que deveria ser assim, mas infelizmente não é. O futebol entusiasma, emociona, já a educação não, e apesar de fundamental importância para o desenvolvimento, não desperta um mínimo sequer de interesse na alma e no coração do brasileiro, não emociona, não empolga, ninguém veste a sua camisa, não tem mídia, e muito menos torcidas organizadas, e a sua lamentável e catastrófica situação não sensibiliza nem provoca (nem de longe) a mesma indignação e revolta que se sente após uma derrota da seleção na copa, ou até mesmo num simples amistoso.
A grande maioria dos brasileiros não se conforma se o seu time perde uma partida, um campeonato, então, nem pensar, Ave Maria!!! mas se conforma facilmente quando muitas vezes, até, não consegue uma vaga para o filho na escola pública.
Tais fatos explicam o contraste entre bola e escola, de um país ser pentacampeão no futebol e um dos piores (lanterninha) no ranking mundial em desenvolvimento escolar. Que vergonha!!! Investir na educação mesmo sendo um investimento á longo prazo, é certamente a forma mais eficaz e precisa para reduzir a pobreza e a distância quilométrica da desigualdade social.
O futebol, no entanto, é apenas um jogo de noventa minutos, onde também campeia e prolifera as armações, as mutretas, é imprevisível e ás vezes injusto, pois, nem sempre vence o melhor, proporciona prazer e alegria, também gozações, desafetos e até mortes, onde jogadores, a maioria deles pernas-de-pau, dirigentes, muitos deles corruptos e empresários que nada entendem de futebol, ganham fortunas, enquanto na educação, que proporciona tudo de bom, paz, cultura, conhecimento e emprego, professores, verdadeiros heróis, ganham um suado, humilhado e minguado salário de fome.
10/03/2009
EVANGIVAL PARANHOS MANGA
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