Jornal “O Quelembe”
Evangival Paranhos
TALINE
Bela, como a mais bela flor!
Obra prima do Criador!
Jóia rara da “Natureza Divina”
Lapidada em forma de menina.
Imensa, a alegria minha,
A felicidade já me possui,
A mãe, nunca foi rainha,
Rei, eu também nunca fui,
Mas Taline é uma princesinha.
Singela, dócil menininha,
Verdade que ninguém argúi,
“Louco varrido”, eu sei que fui,
Como também a mãe, Aninha,
Por não termos feito antes
A nossa adorável filhinha.
Obrigado, Ó mãe natureza!
Divino Espírito Santo, nosso Senhor!
Por nossa saudável filhinha,
Nosso lindo sonho de amor!
CUIDADO, AMAZÔNIA!
Evangival Paranhos
Eu não te falei, Amazônia!
O homem é por demais desumano,
Insensível, venal e miserável,
E o seu azar é tão incalculável,
Quanto ás águas do oceano.
Poderia ainda estar forte,
Virgem, protegida, bem feliz,
Se tivesse a divina sorte
De ter nascido em outro país.
Amazônia,
O teu corpo é imenso e belo,
E essa imensidão é coisa rara.
A tua morte, ah! Nos mata.
A tua mata, doenças sara.
Cuidado, Amazônia! Para que:
Teus animais não morram de medo,
Teus frutos não morram de fome,
Tuas águas não morram de sede,
Tuas matas não morram em silêncio,
Tuas árvores não morram asfixiadas.
CUIDADO, AMAZÔNIA!!!
LUZ VERDE
Evangival Paranhos
Luz verde,
Magnífico panorama ecológico!
Verde nos bosques, horizontes,
Verde água, verde cana, verde exótico.
Verde no mar e na sinaleira,
Verde no verde é periquito na palmeira,
Verde das folhas, dos frutos, do dólar,
Verde dos teus olhos “oliva”,
Olhos que tanto me cativa.
Verde da esmeralda radiante,
Do limo, e da imaturidade,
Verde é a sabedoria do ignorante.
Notícia verde, chamam de “furo”
Jogo o verde, pra colher maduro.
Sobre o verde, estou seguro:
-Não veremos tanto no futuro.
Verde do fel, da relva, da hortelã,
Da fome, do Exército, da esperança,
Verde é todo dia quando de manhã,
Verde também, é toda criança.
PONTOS DE INTERROGAÇÃO?
Evangival Paranhos
Ás vezes, paro e penso...
Confesso, fico meio tenso.
Respostas concretas procuro,
E não encontro, juro!
Quando me pergunto inseguro:
Porque o mar é tão imenso?
Qual será o nosso futuro?
Podemos confiar no censo?
E este ar que respiramos é puro?
Alguém ainda usa lenço?
Há quem não come ravióli?
Quem pichou aquele muro?
Quem não gosta de rocambole?
Se o rico não chamamos de mole...
Como chamar o pobre de duro?
VENTO, CHUVA, LUA E SOL
Evangival Paranhos
VENTO, que venha o vento!
Todos os tipos de vento.
Aliseu, de baixo, largo, alisado,
Etésio, de feição, geral, travado.
Venha do sul ou do norte,
Silencioso ou barulhento,
É meu fraco, Faz-me forte!
Deixa-me calmo e lento.
Que venha o mais breve
Traga a minha sorte,
Alivie a dor do corte
E que nunca faça greve.
Também não se importe:
- Se, ou não agüento,
Se eu ficar bem leve
E rolar como rola a neve.
Falar mal do vento?
Não há argumento,
Quem se atreve?
CHUVA, que venha a chuva!
Qualquer tipo de chuva.
Orográfica, de relevo, frontal,
Chuvada, chuvisco, ciclonal,
Chuva de convecção, criadeira.
Venha de qualquer maneira,
Rodopiando ou em cachos,
Em linha reta ou em curva.
Engorde rios, lagos, riachos.
Deixe toda a paisagem turva,
Venha torrencial e atrevida,
Regando flores, matando sede,
Tingindo os campos de verde.
E não fique aborrecida:
- Se me molhar e deixar gripado.
Ah! Pra terra ressequida,
Cairá como uma luva.
Se habilita, oh! Suicida.
Lutar contra a chuva.
LUA, que venha a lua!
Em qualquer fase sua.
Lua-cheia ou quarto-crescente,
Lua-nova ou minguante.
Venha como sempre, atraente,
Dócil, meiga e bem brilhante,
Livre, espontânea e nua
Desafiando as luzes da rua.
Que fique por toda a madrugada,
Também não fique chateada
Na hora da despedida.
Quando pelo sol, for rendida,
Tão logo chegue a alvorada.
È incalculável a sua beleza,
Como também a sua abrangência.
Nem o ignorante por excelência,
Nem o que tem a alma crua.
Ninguém se atreve, falar mal da lua.
SOL, que venha o sol!
Nas quatro estações.
Com suas lúcidas variações,
Pela manhã e pela tarde,
Pouco importa se arde,
Venha portentoso e abrangente,
Que venha até inclemente,
Seque roupas, e não se esqueça:
- Toda a natureza aqueça,
Não se preocupe com nada,
Quando levante ou poente
Ou quando estiver bem ardente
E deixar minha pele queimada.
Prá mim, é indiferente.
O bronze um dia desbota,
Certamente a praia lota.
Imagina, ser contra o sol.
Quem é o idiota?
INFINITAMENTE, JESUS!
Evangival Paranhos
JESUS, JESUS, JESUS!
Um pouco de raio de luz.
Iluminai nossos caminhos, nos conduz
A encontrar a paz
Que tanto bem nos faz.
Oh! JESUS, JESUS, JESUS!
Que somente o bem produz.
Vigiai sempre nossos passos
Com seus olhos infinitamente azuis!
JESUS, JESUS, JESUS!
CITAÇÕES
Evangival Paranhos
A única vantagem do pobre para o rico, é que o pobre
Pode detectar facilmente os amigos de coração – já o rico, não.
VENTURAS DE VIDRO ( TUDO COM V)
Evangival Paranhos
Vou vivendo e versejando,
Varrendo as vidas de Vanda e Vânia.
Vanda, a vênus de Verona,
Venusta, vaidosa, viripotente,
Verbena vistosa, de vida vadia, vaga,
Vive visivelmente à voga,
Viajando, velejando, voando...
Veste vestido volante de viscose vinho e violeta.
Vernal, vestal, de vasto valor,
Virtualmente virgem, verde.
Vanda é valsa, versos, violino e verão,
Vende vigor, de valiosíssimo visual.
Vive em Viena e vai de Vectra, veranear em Varna.
Vânia, viúva valente,
Vedete vulnerável, venenosa,
Voraz varoa, de voz vibrante,
De vasta visão e vivência,
Veste vestido de veludo verde e vermelho.
Vânia é vulgar, volúpia viril,
Vulva, veias, vagina, virilha,
Ventre venal, viço venial,
Varias vezes volátil ao veloz e vigoroso vento.
Vive em Valência, Venezuela
Vai de Voyage veranear em Veneza.
Vanda e Vânia, vão vivendo
Verdadeiras venturas de vidro.
Algumas dessas poesias residem no
Livro: INCERTEZA ABSOLUTA.