Evangival Paranhos Manga
Meu destino eu mesmo traço,
Risco sempre no Compasso.
Numa folha de papel almaço.
Meu cavalo é tipo pingaço,
Trago comigo preso no laço,
Tem o porte, a cor e o passo
Do formoso cavalo alazão.
Procuro nesta vida um espaço,
E se acho, logo, logo abraço.
Nunca caio em descompasso.
Tanto planto, quanto pesco e caço.
Sou decente e nunca devasso
Sou pintor como Picasso
Só que minha tela é este chão.
Sou de carne e osso, e não de aço,
Estamos em pleno mês de março.
Ó meu Deus! O que faço?
O vento aqui é tão escasso,
O sol é forte, ardente e baço,
Não agüento mais este mormaço
Que faz neste meu sertão.
Sou igual a compadre Tasso,
Não sou de briga, nem pirraço,
Mas, se vierem fazer-me de palhaço,
Não hesito, de imediato rechaço.
Como Lampião, O Rei do Cangaço,
Respondo na base do panaço
Não é a toa que ando com o facão.
Só saio mesmo do embaraço,
Quando me deito no regaço
E descanso o meu cansaço.
Do pão quero apenas um pedaço,
Da cana o gostoso melaço,
Água bebo numa cuia de cabaço,
Depois canto uma canção.
Com o meu sapato sem cadarço,
Que mais parece um argaço,
O chão piso, o chão amasso...
Meu corpo jamais ficou lasso,
Eu estaria num total fracasso
Sem a força deste braço
E a fé deste bravo Coração.