A espécie de política que se tem feito em Maragojipe, principalmente a dos últimos quatro anos, é de longe, a mais triste e vergonhosa de todos os tempos, tipo vulgar, mesquinha, baseada nos interesses que não são os do bem comum. Dos atos podres e indecentes surgiu o neologismo “lapiada”, foi lapiada, lapiadinha, lapiadão, o toma-lá-dá-cá, dinheiro no mato, enfim, tantos absurdos, unindo o útil ao rentável, fatos, entretanto, que se agigantaram e ganharam grande repercussão, servindo para difundir a futilidade de alguns vereadores, e que eletrizaram a opinião pública, levando a Câmara à bancarrota. A população estava sequiosa para extravassar nas urnas o seu repúdio, resultado: O eleitor empunhou da metralhadora giratória e disparou contra eles, (apenas um sobreviveu para contar a tragédia) e resultou na recaída do quadro clínico da paciente desonrada e avacalhada Câmara dos Vereadores.
Câmara que passou a ser Central de Escândalos, vereadores que exageraram nas doses de lapiadas e serão enviados direto para o inferno sem fazer ao menos uma baldeação no purgatório, outros serão internados no ostracismo, outros com o futuro político nublado, bem poucos sairão com dignidade.
Tudo isso, reflexo da falta de compromisso, do descaso, da falta de debates, de projetos que venham beneficiar o povo, atendendo as reais e inúmeras necessidades do município
Política aqui virou profissão, nossa “democracia” debilitada e cambaleante jamais deu frutos para a maioria. Somos carentes, ou melhor, extremamente carentes de homens íntegros, verdadeiramente políticos e sobra de montão, políticos inescrupulosos, verdadeiramente profissionais, poucos se salvam, esta é a melancólica realidade.
Em 2009 teremos um novo time, uma nova esperança, o otimismo renovado, apenas um reeleito entre nove, sobrevivente de uma explosão moral na Câmara. Há uma tendência enorme de os vereadores ficarem cada vez mais parecidos, os diferentes, tendem a encontrar mais obstáculos e resistência, é imprescindível, no entanto, que os diferentes assim se mantenham, não comecem como oposição e depois migrem para a decepção, ser de oposição não significa necessariamente ter que reprovar todos os projetos que venham do executivo, como também, ser da situação não quer dizer que todos deverão ser aprovados, é muito relativo, todo e qualquer projeto que venha beneficiar o povo e o município, deverá, sim, ser aprovado venha ele do executivo ou não, agora, deverão ser incansavelmente fiscalizados e é preciso se cuidar de duas armadilhas fatais: a subordinação à lógica do dinheiro fácil, e o oferecimento de cargos com o intuito de acorrentá-los, amordaçá-los, neutralizá-los por completo.
A luz dos conchavos deve está apagada e acesas a da ética e a do debate.
As renovações, é claro, podem ser boas e más, resta-nos ficar na torcida atentos para que os infiéis percam seus mandatos e que a fidelidade partidária seja reconhecida, sepultando com o troca-troca constante.
Confiamos neste novo time, que não deverá jogar na retranca, nem terá jogadas ensaiadas, nem esquemas táticos mirabolantes, todos deverão honrar a camisa, lutando dia – a – dia, com determinação, na sede e zona rural, sem posição fixa, sem goleador específico, independentemente de quem seja o capitão, o cobrador oficial de faltas e o ponta-de-lança das negociações.
Evangival Paranhos Manga